Todo ano a mesma luta: professores precisam brigar até para não perder dinheiro para a inflação

 Todo ano a mesma luta: professores precisam brigar até para não perder dinheiro para a inflação



Ser professor no Brasil significa viver uma realidade que poucos profissionais suportariam: trabalhar cada vez mais e, mesmo assim, ver o salário valer cada vez menos.

Todos os anos, professores de todo o país precisam travar uma batalha desgastante para conseguir algo que deveria ser automático: um reajuste salarial que pelo menos acompanhe a inflação.

E o mais revoltante? Muitas vezes nem isso conseguem. O salário não aumenta. O poder de compra diminui.

Quando um professor não recebe reajuste conforme a inflação, ele não está apenas “deixando de ganhar mais”. Ele está, na prática, ficando mais pobre.

Porque enquanto:

·       o supermercado sobe,

·       o combustível sobe,

·       a energia sobe,

·       o aluguel sobe…

·       o salário do professor permanece parado.

Resultado: o educador trabalha o mesmo, se esforça o mesmo, se qualifica o mesmo — mas compra menos a cada ano.

O professor virou refém de negociações intermináveis. O que deveria ser um direito básico se transforma em disputa política.

Prefeituras e governos frequentemente alegam:

·       falta de verba,

·       crise econômica,

·       limites orçamentários,

·       contenção de gastos.

Mas quase nunca faltam recursos para outras prioridades.

Enquanto isso, professores precisam:

·       protestar,

·       fazer greve,

·       enfrentar desgaste público,

·       ser criticados pela população.

Tudo isso apenas para tentar manter o próprio poder de compra.

Entre o governo e a sociedade, o professor fica sozinho. Quando professores reivindicam reajustes, muitos são tratados como se estivessem pedindo privilégios.

Mas a realidade é outra: eles estão lutando para não empobrecer.

Infelizmente, grande parte da sociedade não percebe isso — e muitos governos se aproveitam dessa falta de compreensão para adiar negociações e ignorar reivindicações. A consequência? Professores exaustos e endividados sem reajustes dignos, milhares de professores precisam:

·       dobrar jornada;

·       trabalhar em duas ou três escolas;

·       vender produtos ou serviços para complementar renda;

·       recorrer a empréstimos e crédito para sobreviver.

A profissão que deveria ser símbolo de valorização tornou-se, para muitos, uma luta constante contra o endividamento.

Até quando isso será normal?

Não deveria ser aceitável que o profissional responsável por formar médicos, engenheiros, advogados e empresários precise implorar por uma correção salarial básica. Lutar por reajuste inflacionário não é pedir aumento. É pedir para não perder. E enquanto essa realidade continuar sendo tratada como algo normal, a desvalorização docente seguirá empurrando bons profissionais para fora da educação.

Conclusão

A luta anual dos professores por reajustes salariais revela uma triste verdade: no Brasil, muitos governantes elogiam a educação no discurso, mas negligenciam seus educadores na prática.

Enquanto reajustar ao menos pela inflação continuar sendo motivo de embate, professores seguirão pagando a conta de um sistema que exige muito e recompensa pouco.

Valorizar a educação começa por respeitar quem ensina.

Por Eunice de Moraes Nascimento


Comentários

Páginas mais visitadas

QUANDO QUEM EDUCA TAMBÉM ENFRENTA DÍVIDAS

POR QUE TANTOS PROFESSORES CONTINUAM ENDIVIDADOS MESMO TRABALHANDO EM DOIS CARGOS?